Senegal Parte 1

Olá pessoas, nas últimas férias eu decidi ir pro Senegal. Sim, Senegal, um país do oeste africano, entre a Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia. Quando eu contava pros meus amigos e conhecidos que ia pra lá as reações foram variadas. Muitos diziam “nossa, que máximo”, outros me perguntavam “mas por que o Senegal”. Bom, primeiro de tudo acho que qualquer lugar (ou quase, né?) é digno de ser visitado, você sempre vai ter alguma coisa pra aprender, alguma experiência legal pra viver, não é mesmo? E tem mais, não queria ir pra Europa e também sentia que deveria explorar mais o continente africano. O Senegal me pareceu uma boa opção pelos devidos motivos: é perto do Marrocos e a passagem não era o olho da cara, não exige visto para brasileiros e o custo de vida também não é muito elevado (é similar ao do Marrocos). Eu só fiquei arrasado de não poder visitar o Mali e a Mauritânia, tanto por não ter tempo quanto por motivos de: conflitos armados. Enfim, vamos ao que intressa, não é mesmo?

fullsizeoutput_2c3f

Meu dia começa super cedo numa sexta-feira, eu saía do apartamento onde estava e tinha que ir pra Casablanca pegar meu voo. Deixei minhas coisas arrumadas pra minha flatmate italiana levar pro apartamento pra onde ela se mudaria e às 6:30 saio de casa pra estação de trem. De Rabat pro aeroporto de Casablanca é super fácil, basta pegar um trem por 80 DH  (mais ou menos R$ 25) e fazer uma rápida conexão em Casa Port, que você chega literalmente dentro do aeroporto. Era pra ser algo simples, não é mesmo? Só que não! Gente, fui dormir super tarde na noite anterior, e tive que madrugar, então meu cérebro não tava funcionando direito. Certo é que quando cheguei em Casa Port perguntei pro guardinha “qual é o trem pro aeroporto?”, e ele me disse o 7. Ai eu retardadamente entrei no 5! E fiquei lá de boas esperando até que ele partiu e passou o fiscal pra conferir as passagens, foi quando fiquei sabendo que o trem em que estava na verdade ia pra Rabat! Desci na primeira estação, peguei o próximo na direção contrária e consegui chegar no aeroporto à tempo.

Cheguei em torno das 10h e meu voo saía às 12h, então fui fazer o check-in. Em Casablanca eles tão mais acostumados com o passaporte brasileiro, então não me perguntaram se eu precisava de visto pra Espanha (já que meu voo fazia uma conexão em Madrid), mas o carinha sim me perguntou se eu precisava de visto pro Senegal. Eu disse que não, mas no fundo não tinha certeza, já que não entrei em contato com nenhuma representação diplomática senegalesa e tampouco achei informação consistente na internet sobre, então me deu um pouco de cagaço na hora e durante toda a viagem até carimbarem meu passaporte. Eu só pensava: na pior das hipóteses vou ser inadmitido, preso, sei lá… a outra opção seria não viajar e perder o dinheiro da passagem (ta looouco!). Por um momento me deu conta de como eu sou privilegiado de escolher a primeira opção de forma relativamente tranquila, me lembrei das histórias dos solicitantes de refugio que atendi quando trabalhei no CONARE, de pessoas cruzando fronteiras, passando por coisas horriveis. Que bom que eu consigo fazer isso sem problema nenhum. Inclusive muitos deles são senegaleses… enfim já que me foi dado esse privilégio vamos aproveitar, não é mesmo?

Chegando no aeroporto de Dakar já dá pra sentir uma atmosfera completamente diferente do Marrocos, a fila da imigração não existia (eram um amontoado de pessoas – c’est à dire: des français – se empurrando) e as esteiras eram bem confusas. Alguns (pessoas brancas que encontrei pelo Senegal, por exemplo) podem dizer: “assim é a África!”. Sei lá, não conheço a África pra saber… fato é que ninguém vai pra Paris e diz “assim é a Europa”. Passada essa etapa, passaporte carimbado e oficialmente admitido no país chega a aventura mais difícil do dia: chegar em Saint-Louis, que é a antiga capital das colônias francesas da África Ocidental. A viagem dura umas 4h de carro e eu não me informei direito sobre como me deslocar pelo país (se eu soubesse minimamente como era o Senegal teria passado a noite em Dakar). Troquei algum dinheiro e, ao sair do aeroporto, um cara me abordou oferecendo taxi privado. Disse que ia pra Saint-Louis e ele queria me cobrar 40.000 CFA (mais ou menos R$ 200) e claro que eu não ia pagar o primeiro preço que me pedem. Negociei e consegui por 25.000 CFA (ai que facada, gente!).

Fomos eu e mais 3 senegaleses, o carro fez várias paradas e cada um ficou em uma cidade diferente, eu fui o último a chegar no meu destino. Me surpreendi com a quantidade de blitz e barreiras policiais nas estradas de lá. Tinha lido vários relatos de policiais que pediam dinheiro, mas felizmente nada aconteceu. Uma coisa que eu já estranhava no Senegal era o fato de que eu imediatamente era identificado como um turista estrangeiro. Não to acostumado com isso, os últimos 700mil países que eu visitei (pra não falar todos os que eu já visitei), em algum(ns) momento(s) fui confundido com um local. Cheguei no meu hostel às 4 da manhã! E quando cheguei o motorista queria me cobrar 40.000 CFA alegando que era longe… meu amigo, eu sou generoso mas não sou idiota! Claro que eu neguei a pagar algo extra, né? Foi um dia muito cansativo, mas cá estava eu no Senegal. Apaguei e só acordei no dia seguinte depois das 11h, pra de fato ter o meu primeiro dia no país.

Bom, acho que esse post está ficando meio grande, então eu continuo o relato das minhas aventuras em um próximo post.

À toute

Anúncios