Senegal Parte 3: Mbour, Kaolak & Toubakouta

Na noite anterior mandei um e-mail pra Saide dizendo que ia sair de Dakar de manhã cedo em direção à Mbour. Ela já tinha me dito o nome do hotel em que ela estava, então o que eu pensei foi: “vou pro hotel dela e no dia seguinte vamos juntos pra Toubakouta”. De manhã mandei outro e-mail pra ela avisando que ia sair e tal, então acabei saindo antes que pudesse receber qualquer resposta. Antes de sair do hostel procurei saber quanto custava o 7place (porque, como diz a Saide: “no voy a dejar que me jodan!”) e pronto. Chegando na garagem (que em Dakar é bem grande) perguntei prum moço onde eu encontrava o 7place pra Mbour. Ele me indicou um outro senhor que ia me levar até lá, então enquanto andávamos conversamos um pouco. Ele me perguntou como poderia ir pro Brasil, se era fácil conseguir um emprego de motorista e tal (imigrar pro Brasil parece ser a nova tendência no Senegal). Dai eu me peguei dando uma mini consultoria sobre lei migratória brasileira, expliquei que era difícil, que as únicas maneiras que ele tinha eram de ter uma prole brasileira ou casar com um/a cidadão brasileiro. Foi quando ele começou a me perguntar se era fácil conseguir uma esposa brasileira… ai o cara o 7place começou a chamar pra sair antes que eu tivesse tempo de dizer que pedir refúgio também era uma possibilidade de se manter documentado, pelo menos por algum tempo. Enfim, hasta amigo.

Como de hábito, já tinha aberto o google maps no hostel e colocado o trajeto até o hotel em Mbour, pra saber se valia a pena pedir pra descer do 7place antes de chegar na próxima garagem. Sim, valia. A viagem é bem curtinha e dessa vez não teve nenhum contratempo, nenhum carro quebrado ou qualquer outro tipo de problema. Em 1h30 estava no ponto que deveria descer, na beira da estrada e esquina com uma outra avenida que termina em Saly (povoado de praia super turístico, vizinho à Mbour). O google me dizia que do ponto que eu desci até o meu hotel dava uns 25min andando (o que na minha velocidade dá 10-15min). Beleza, então tá tranquilo, tá favorável… só que – mais uma vez – não! Gente, o google não é tão preciso assim, então a localização no mapa estava um pouco errada, mas pelo endereço sabia que era ali pela região. Fato é que eu fiquei rodando e rodando e rodando, perguntando pra pessoas na rua e perguntando de novo. Rodava, rodava, rodava, liguei pro hotel zilhões de vezes e ninguém atendia! Gente, eu tava dando voltas no mesmo lugar por umas 3h (SIM: TRÊS HORAS!!!!) e não encontrava a porcaria do hotel. Até que… CONSEGUI!!!! Cheguei lá como, né, queria esganar a menina da recepção que não atendia o telefone.

Quando entrei no meu e-mail tinha uma mensagem da Saide dizendo que tinha ido pra Toubakouta porque teve problemas com o hotel dela em Mbour. O que acontece é que na noite anterior ela mudou pra um hotel mais perto da praia e resolveu ir antecipadamente pra Kaolak, depois de ter tido alguns problemas nesse outro hotel. Eu que já estava cansado das horas que fiquei vagando no sol com mochilão nas costas preferi ficar em Mbour mesmo e viajar só no dia seguinte.

O hotel era quase na entrada de Saly, então depois de deixar minhas coisas no hotel eu resolvi andar na beira da praia, ver o mar. Hahahaha, mais uma vez eu não tinha a menor noção de onde estava! Antes eu só tive que passar no super mercado pra comprar repelente e protetor solar (crianças, se vocês forem ao Senegal não sejam como eu e tomem as pílulas pra evitar a malária, tá!). Já que meu protetor tinha acabado e eu tava indo pro sul, que é bem mais infestado de mosquitos, por ser área de mangue. Dito e feito fui pra Saly.

Chegando na orla… cade a orla??? Não tem! O que existe são resorts que cobram pra vc ter acesso à praia. Fiquei puto, então resolvi andar pelo vilarejo, que era o que me restava, já que no dia seguinte ia pra Toubakouta. O vilarejo é simpático e você vê alguns turistas, que se atrevem a sair dos resorts, andando por lá. Tem umas pessoas muito pedantes insistindo pra você comprar, mas nada pior do que em outros lugares. Um carinha começou a me seguir na rua e a insistir pra que eu fosse ver a loja dele. Ele foi tão tão insistente que eu terminei cedendo, mas não sem antes deixar bem evidente que não ia comprar nada, que não tinha dinheiro sobrando.

Chegando na loja tinham mais uns 5 ou 6 homens por lá, uns dois fazendo artesanato e os outros ali parados. Então eles perguntam meu nome e eu super desconfiado queria saber o motivo. Não me disseram, mas eu pensei “ah, já to aqui, saberem o meu nome é o de menos”. Antes de tudo, eu falei pra eles que não tinha dinheiro e que não ia gastar nem um centavo ali. Daí um deles ficou super puto e se colocou meio agressivo comigo. Quando eu vi tava eu rodeado por 6 homens e gritando comigo, então eu respondi: “não te conheço, nunca te vi antes e não to colocando todos os senegaleses no mesmo saco! Só to avisando que não vou gastar nenhum centavo, pra que depois isso não seja uma surpresa, ok?! Se você quiser me contar histórias vai ser porque de coração você quer fazer isso e não porque quer o meu dinheiro, ok?!”. Dai ele começou a me contar umas histórias sobre o artesanato e tal. Assim, até era interessante, mas nada que eu já não tivesse visto e ouvido em Saint-Louis e Dakar.

Perdi a paciência, agradeci à eles e disse que ia embora, foi quando ele quis me dar um pingente de madeira (num cordão) com o meu nome escrito. Claro que eu recusei, mas eles começaram a insistir dizendo que eu tinha que pagar. Foi quando eu disse que não ia pagar nada e nem levar o pingente, porque eles escreveram meu nome lá sem me avisar. E que se tivessem avisado ia falar para não fazerem! E sai andando sem olhar pra traz. Um deles ficou me seguindo e insistindo preu pagar pelo “tour”. Ah, muita cara de pau, gente! Ele continuou me seguindo querendo me mostrar o caminho de volta (como se eu já não soubesse, né) e até apelou me oferecendo prostitutas. Gente, é triste a situação… é um vilarejo que vive do turismo baseado em resorts onde os branco estão isolados e em 90% das vezes que saem é pra procurar prostituição. Me parece que é um turismo que pouco deixa pra cidade e pra população, além de você ver muitos desses tiozões (ou tias) brancos(as) nojentos com umas adolecentes senegalesas.

Voltei a andar e resolvi parar num lugar pra trocar dinheiro. Depois de negociar a taxa de câmbio (sim, no Senegal tudo é negociável) dois carinhas que estavam ali começaram a puxar papo. Eles perguntaram de onde eu era, então eu sugeri que eles adivinhassem (hehe). Como eu falo francês, eles tentaram todos os países francófonos europeus (França, Suíça, Bélgica), ai disse que eu era brasileiro. Pronto, depois de falarem o nome de 700 jogadores de futebol que eu não conhecia (porque sim, sou brasileiro e não, não ligo pra futebol) eles se propuseram a me mostrar uns lugares legais, segundo eles pra que depois eu voltasse pro Brasil e recomendasse que o Senegal pras pessoas. Rodamos um pouco e paramos num baobab (eu já falei que essa árvore é maravilhosa?), que eles me disseram pra colocar a mão e fazer um desejo. Eu já tava achando eles meio estranhos, quando chegou uma mulher e começou a discutir com eles. Dai eles disseram que tavam só mostrando o vilarejo prum turista do Brasil. Foi quando a mulher, que eles disseram ser nigeriana, perguntou: “hablas español?”. Eu disse que sim e percebi que ela queria me dizer alguma coisa, só que ela não falava nada de espanhol, rs. Ai perguntei em inglês e ela me disse em espanhol: “vayas antes que te roben”. E eu bati uma reta e fui embora. Dai eles me seguiram e começaram a dizer que eu tinha que pagar pelo tour. Gente, de novo essa história… se você não sabe dizer “não” vai aprender rapidinho no Senegal, rs.

À essa altura eu já tava puto que não conseguia andar em paz no vilarejo. Nunca me senti tanto como um dólar ambulante! Resolvi voltar pro hotel, já que no dia seguinte iria pra Toubakouta, via Kaolak e com troca de 7place. Mais uma vez, no caminho pro hotel, me ofereceram prostitutas… gente que lugar horrivel é Saly!!! Não percam o seu tempo com essa cidade. Fiquem em Mbour ou até passem batido pra outro lugar.

No dia seguinte acordo cedo, tomo café e vou pra beira da estrada pegar um coletivo (nada mais é do que um taxi compartilhado) até a garagem de Mbour. Claro que eu já sabia o preço que deveria pagar pra chegar em Kaolak e claro também que tentaram me cobrar bem acima. Pero no voy a dejar que me jodan! Na garagem de Mbour tinha uma fumaça negra nos arredores. Eu entrei no carro e tava esperando lotar pra então sairmos. Foi quando a fumaça aumentou muito (muito mesmo!) e as pessoas dentro do carro e ao redor se desesperaram e começaram a correr, como se o fogo tivesse chegando perto. Gente, que desespero que me deu, minha mochila tava em cima do carro e eu subi no teto pra tentar tirar, quando o motorista arrancou. O problema é que todos os outros carros na garagem também arrancaram, então na real ninguém conseguia sair do lugar. Foi uma correria, pânico, gritaria, mas conseguimos sair com vida.

O carro ia pra fronteira com a Gâmbia, mas eu ia ficar em Toubakouta, que é um vilarejo muito pequenininho que fica no caminho. Lá ia encontrar com a Saide, onde íamos explorar o parque do Delta du Saloum. Desci em Toubakouta e mais uma vez o google não é muito preciso pra indicar onde fica o hotel… acabei pegando um mototaxi que me cobrou 300 CFA (± R$ 1,50) pra me levar até o hotel que a Saide tinha reservado, o que é até bem caro considerando a distância percorrida. Cheguei no hotel e lá estava Saide reclamando de alguma coisa no quarto kkkkk (“no voy a dejar que me jodan!”). Gente, como eu ri nessa viagem! Comemos no hotel (grande erro, os preços eram abusivos!) e saimos um pouco pra explorar a cidade enquanto a moça do hotel ligava pro pessoal encarregado dos passeios pelo delta.

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Entardecer na beira do rio

 

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Pier de um dos resorts

O vilarejo é muito pequeninho, então andamos em direção ao rio, onde tinham uns resorts com pier. Entramos em um, demos “bonjour!” pros seguranças na porta e fomos direto pro pier. Deitamos nas cadeiras, tiramos foto, foi ótimo, é muito bonito. Tinham muitos macacos por lá. Depois saimos e continuamos caminhando na beira do rio do lado de fora, quando chegamos em um outro pier de um resort que tinha quartos de casa na árvore. Fomos andando em direção à esse outro pier, quando veio um segurança nos dizendo – em francês – “isso é uma propriedade privada, vocês não podem entrar”. A Saide não fala nada de francês e eu fingi que não tava entendendo nada. O segurança não falava inglês, mas a Saide começou a dizer que o rio era do Senegal e não era propriedade privada coisa nenhuma, que iriamos andar no pier, tirar foto e ninguém podia nos tirar dali. “This is private – e ela apontava pras casas na árvore -, this is Senegal – apontando pro rio!”. Ta certíssima! Já estava entardecendo, então voltamos pro hotel, onde o cara que ia nos explicar sobre os passeios nos esperava.

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“This is private!”
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“This is Senegal!”

Eu sei é que não fomos com a cara dele… então resolvemos não fazer passeio nenhum, tava tudo muito confuso porque os passeios não pareciam nos mostrar exatamente o que queríamos ver. Então decidimos ir para a Gâmbia, estudar tudo direitinho e na volta visitar o delta. Sairíamos no dia seguinte cedo.

Próximo post: Gâmbia e Delta du Saloum.

À toute

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